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Uma técnica infalível
O lema é deixar-se levar pela emoção
e evitar o debate racional
Já em casa, descansando após a rotina de trabalho,
tiro alguns minutos para acessar a minha caixa de e-mails no computador.
Há duas novas mensagens de colegas da faculdade, ambos a
tratar do mesmo tema. É um assunto que há tempos eu
tenho levantado no e-group de discussão da turma;
um tópico que gera desconforto com as noções
de “bem e mal” consolidadas dentre os valores individuais.
Deparo-me, no primeiro momento, com o sugestivo título “Exatamente,
como foi previsto há cerca de 60 anos…” –
pronto, conseguiu despertar a minha curiosidade. A seguir, no corpo
da mesma mensagem, uma série de imagens capazes de emocionar
até o mais indiferente; capazes de provocar uma reflexão
no mais alienado; capazes de fazer repensar o mais irredutível.
Estou hipnotizado.











A seqüência de fotos parece interminável.
A cada uma delas, tento imaginar a dor, o desespero, o sofrimento,
a desilusão das vítimas em sua aterrorizante jornada.
Nada que eu ou qualquer outra pessoa possa tentar conceber realmente...
Ainda assim, transporto-me daquele momento de relaxamento para uma
solidão angustiante.
Os prisioneiros estão num estado lastimável; não
se consegue diferenciar os contornos de seus corpos, tudo parece
uma massa disforme, anêmica. Alternam-se entre outras cenas
de corpos empilhados e cadáveres anônimos. Volto à
leitura do texto anexo.
A citação do General Eisenhower parece perfeita
para o efeito almejado: “Que se tenha o máximo
de documentação - façam filmes - gravem testemunhos
- porque, em algum ponto ao longo da história, algum idiota
se erguerá e dirá que isto nunca aconteceu”.
Prossegue-se com uma espécie de alerta para com o perigo
da negação do Holocausto,
e para evitar o esquecimento deste que seria um dos maiores crimes
já praticados contra a humanidade, a mensagem termina por
conclamar a todos que se unam numa corrente virtual de divulgação
das imagens. Verdadeira proposta de confrontação com
a corrente de pesquisa
revisionista, no intuito de opor-lhe resistência.
Acomete-me uma implacável insegurança. Será
que a teoria que até então eu sustentava era verdadeira?
Estaria errado? O meu questionamento era válido?
Passo por um conflito emotivo. Volto-me, então, para a
leitura da segunda mensagem.
Outro colega da “SanFran” me aconselha a não
abordar tão insistentemente a teoria revisionista do Holocausto
entre os alunos, através do já citado e-group
(havia tido um histórico de debates sobre o tema, gerando
grande polêmica). Alega que a minha imagem estaria se desgastando
e, mesmo concordando com o meu clamor por liberdade de manifestação
do pensamento, caberia prudência na exposição
de opiniões sobre temas tão delicados, afinal, “dar
a cara ao tapa pode ser necessário, mas não precisa
dar o ouvido, o ombro, a canela e o resto”. Fiquei confuso.
No momento em que, num recuo reflexivo, questionava minhas próprias
sustentações ideológicas, também me
via constrangido a não abordar o assunto que tanto me fascinava,
ainda que fosse para rever minhas posições. Uma aura
de intangibilidade cercava a matéria. A “verdade”
já fora enunciada; cabia a mim, agora, reconhecê-la
e cultuá-la. Mas o que é a verdade, quando tratamos
de um fato histórico? Quer dizer, aquelas fotos, somadas
ao conteúdo produzido unicamente pela propaganda
oficial dos vencedores da 2ª G.M., eram por si só suficientes
para elucidar um evento tão controverso?
Como estudante de Direito, já incutido de princípios
jurídicos mínimos na investigação de
um fato, somados a um senso crítico inato, me acometiam mais
incertezas sobre o processo cognitivo do Holocausto. Quem fora o
autor? Qual a lógica de imputação? Em qual
momento se deu a decisão? Quais os meios empregados? Qual
a possibilidade técnica de ocorrência do crime? Qual
o contexto geopolítico? Qual a logística empregada
nesse insólito mecanismo de extermínio? Dúvidas
que geravam mais dúvidas...
Principalmente com relação a um jargão fartamente
pronunciado no meio acadêmico, que me parecia inutilizado
na defesa dos alemães no pós-guerra: o contraditório
e a ampla defesa. Ou então, ademais, o ideal máximo
de aplicação da justiça, propalado em sentenças
fundamentadas, através do “devido processo legal”.
Princípios ignorados pelos aliados, já que os nazistas-maus
sequer mereceriam um processo justo; gozavam da presunção
absoluta de culpabilidade. Um cinismo deôntico só compreensível
a luz do entendimento dos interesses envolvidos na “Indústria
do Holocausto”.
Ao desafiar as altas-finanças, Hitler
iniciou a libertação do mundo das garras dos burgueses
apátridas. Sugerindo que o nazismo seja do mal, o grande
capital procura santificar a escravização dos povos
através da cobrança de juros e globalização
- NR.
A razão, finalmente, se sobrepõe a emoção...
Alívio! Saio do estado hipnótico.
Num providencial despertar, identifico o ludíbrio a que
fora submetido naqueles poucos minutos de auto-questionamento. Havia
sido vítima da mesma tática empregada ao longo dos
últimos 60 anos. Estava entorpecido pela emoção!
Induzido a corroborar com as conclusões previamente estipuladas
pelos autores da mensagem; as cenas de terror abriram a minha guarda
para o ataque ideológico. Aquelas fotos, dotadas
de um poder até então por mim subestimado, me evidenciaram
o grande trunfo dos propagandistas de atrocidades: escamoteavam
o mérito, atingiam o instinto humano de solidariedade e estimulavam
o extravaso emocional; enfim, uma jogada de mestre! Não
poderia esperar menos de escribas profissionais da História
fraudada, com séculos de experiência no ramo...
Faz-se impositivo observar que uma imagem, analisada isoladamente
de sua conjuntura fática, pouco elucida sobre a verdade que
envolve um acontecimento. As legendas ou explicações
que lhe podem ser apensadas são ilimitadas, tal como as suposições
de causa e autoria das ações cometidas. Os indivíduos
representados nas situações insalubres já relatadas
me certificam apenas de poucos dados a respeito de sua situação:
posso inferir que foram submetidos a regime de miséria e
indignidade, nada mais. As causas, agentes, meios empregados, momentos,
portanto, todas as informações concretas que compõem
a cena materializada na figura apenas podem ser complementadas por
rigoroso método de pesquisa. De outra forma, permanecemos
“reféns” de uma evidência visual incompleta,
que por si só nada comprova; depende de um amparo consistente
de outros elementos probatórios. A apresentação
de uma foto como evidência factual, desprovida de seus elementos
acessórios essenciais a sua inserção histórica,
apenas serve como um “coringa” dentre as opções
de manipulação dos exterminacionistas, aqueles
que impuseram como dogma o drama dos judeus europeus. As figuras
permanecem numa reserva estratégica, a fim de serem utilizadas
nas mais diversas situações, com explicações
variadas à conveniência do discurso; são verdadeiros
“cheques em branco”, preenchidos de acordo com a vontade
do portador.
Uma vez já imunizado dessa elaborada retórica da
propaganda oficial do Holocausto, passo a tentar captar a essência
da mensagem reproduzida através daquelas imagens e do seu
escrito anexo. Mostra-se latente o desespero dos autores de tal
e-mail. Apesar de toda a perseguição
impetrada contra os revisionistas, apesar da violenta disparidade
entre os recursos financeiros e midiáticos à disposição
de cada lado na disputa, ainda assim, as vitórias alcançadas
se mostram estabelecidas firmemente. Trata-se de um avanço
“lento, gradual e seguro” – valendo-me
de uma célebre frase do Brasil contemporâneo. Para
cada ato de violência coativa, a toda lei criada para calar
os revisionistas, às citações inesgotáveis
em produções cinematográficas, nos insaciáveis
($$) relatos das “testemunhas”,
cada vez mais se torna irrefragável o duro golpe sofrido
pelo establishment do poder mundial, através da
pesquisa revisionista. O dia em que a mentira irá cair por
definitivo se mostra mais próximo, sendo que os atos de desespero
nada mais são do que o último movimento de um inconformado
ante a derrota iminente.
Apelou, perdeu.
Caleari
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