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Os vampiros liberais
Liberalismo: "Vampirismo"
ou "carrapatismo estatal camuflado"
Um dos conceitos filosóficos mais desenvolvidos
nos últimos 250 anos foi o conceito de Liberalismo. Segundo
os filósofos dos séc. XVIII, XIX e XX, o Liberalismo
é uma posição de Estado onde impera a livre
iniciativa, a não-intervenção estatal, a propriedade
privada, a igualdade formal entre os Homens, a livre concorrência
de preços e a existência e obrigatoriedade do Estado
Mínimo. “Ditos” filósofos e pensadores
como John Locke, Adam Smith, Stuart Mill, Jean Jacques Rosseau,
Thomas Hobbes, Max Weber, Robert Filmer e outros esforçaram-se
em desenvolver as bases científicas dessa forma de pensamento,
que se tornou uma cartilha a ser seguida pelos países “progressistas
e desenvolvimentistas”. O escocês Adam Smith, propôs
na sua principal obra “Investigação sobre a
Natureza e as Causas da Riqueza das Nações”
que os pré-requisitos para o Liberalismo Econômico
e a prosperidade das nações seriam: o combate aos
monopólios, públicos ou privados; a não-intervenção
do Estado na economia e sua limitação às funções
públicas de manutenção da ordem, da propriedade
privada e da justiça; a liberdade na negociação
do contrato de trabalho entre patrões e empregados; e o livre
comércio entre os povos. Adam Smith propôs também
que quando existe liberdade na sociedade "os homens voltados
para seus próprios interesses são conduzidos por uma
mão invisível... sem saber e sem pretender isto, realizam
o interesse da sociedade".
A partir dessa salada de mentiras filosóficas,
os Estados modernos parecem querer seguir essa empulhação
teórica como meio de melhorar a vida dos cidadãos
e combater a desigualdade social e as explorações
do Capital ao Trabalho. Vamos mostrar que a prática que temos
observado nos ditos Estados Liberais ou mais modernamente, Neo-Liberais,
prova que a falácia de liberalismo não se sustenta
por muito tempo.

Vítima do "sonho liberal"
Desde o golpe do internacionalismo burguês
chamado de Revolução Francesa, grande parte dos países
do Ocidente “exercem” o modelo liberal de governo. O
interessante é que países ditos defensores ferrenhos
do Liberalismo parecem não seguir o que defendem. Quase todos
os filósofos citados acima tiveram escravos e nunca se preocuparam
em libertá-los em nome do benefício da democracia
liberal. Outro exemplo mais moderno, estamos observando que as
empresas norte-americanas de créditos imobiliários
estão quebrando uma a uma, por má administração
de fundos, e adivinhem quem apareceu para salvar as empresas com
mais de 1 trilhão de dólares em recursos?? O
Estado.
No caso das maiores empresas americanas e européias,
como a Lockheed, a GM, a IBM, a Microsoft, a Exxon Mobil e as construtoras,
se não fosse o Capital de Giro do Estado Americano e os investimentos
estatais e de empréstimos de Estados Europeus, além
das operações financeiras de seguros, já teriam
quebrado há muito tempo. Observem a “livre concorrência”
na Europa: os produtos agrícolas são em 80 % dos países
europeus subsidiados pelo governo, e os produtos de países
emergentes sofrem duras taxações quando tentam entrar
nesses mercados. Pois bem, onde está a livre concorrência??
Onde está a não-intervenção estatal??
As maiores empresas de pesquisa dos EUA, que recebem gigantescas
somas de recursos para desenvolvimento de tecnologia são
estatais: a NASA E AS FORÇAS ARMADAS AMERICANAS. A Exxon
Mobil, que causou um derramamento de óleo gigantesco no Alaska
em 1989, com o petroleiro Exxon Valdez, recebeu ajuda de seguros
e indenizações sabem de quem?? Da “Mão
Invisível”, para nós bem visível chamada
de Governo!!
Vejamos o caso do Brasil. Recentemente, Bancos fraudulentos
que deram golpe de bilhões na sociedade foram socorridos
pela mão bondosa do Estado. É o caso dos Bancos Econômico,
Bamerindus, Nacional, Marka, Fonte Cidam, Opportunity e outros.
A Vale do Rio Doce, o maior escândalo da História Econômica
do Brasil, recebeu e recebe dinheiro de investimentos do BNDES.
É muito comum os liberais vociferarem: agora a Vale está
dando lucro!! Agora a telefonia funciona a contento!! Pois bem,
nós respondemos a eles: retirem o BNDES dos investimentos
dessas empresas e vamos ver o lucro da Vale e das Telecom estrangeiras!!.
E os casos da Variglog e dos Mega-investidores Naji Nahas, Sérgio
Naya e Daniel Dantas?? Todos muito bem informados com os papéis
do governo, e suas aplicações monetárias, não
havia nada de iniciativa privada. Isso sem contar que no Brasil,
90% das pesquisas tecnológicas são financiadas com
dinheiro público, sobretudo concentradas nas Estatais e nas
Universidades Federais. O que seria da Votorantin, da Norberto Odebrecht
e da Camargo Correa sem as obras do governo?? O que seria da Alston
francesa e das gigantes automobilísticas instaladas no Brasil,
sem a mão prestativa e acolhedora do Estado a lhes oferecer
pragmáticas formas de pagamentos de impostos, com prazos
de isenções de até 20 anos para pagar?? O que
seria da Petrobrás, sem a ajuda da pesquisa de ponta desenvolvida
na COPPE do RJ, uma entidade estatal?? O que seria da Embraer sem
os estudos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica,
entidade de ensino estatal?? Quantas empresas dominam o mercado
de cimento no Brasil?? Apenas três. Quantas empresas dominam
a distribuição de trigo para o mercado brasileiro??
Apenas cinco. Quantas empresas dominam as exportações
de frutas e legumes de qualidade para o exterior?? Apenas quatro.
Quem assumiu as dívidas trabalhistas das empresas ferroviárias
(RFFSA) e de energia quando foram privatizadas (entregues)?? O Governo.
E no nosso dia-a-dia: qual a concorrência que existe na distribuição
de combustíveis nos postos?? Qual a concorrência que
existe nos preços do pão francês nas padarias
e supermercados?? Quantas empresas de ônibus gerem o serviço
de transporte municipal nas cidades brasileiras?? Quantas empresas
dominam o negócio lucrativo do transporte rodoviário
interestadual?? Quantas empresas de energia elétrica existem
em sua cidade?? Quantas empresas dominam o mercado de pedágio
nas estradas estaduais e federais (somente as estradas em boas condições)??
Onde está então a concorrência e a competição
de mercado, tão caras aos patetas liberais??
Como se vê, aqueles que defendem o Liberalismo
enquanto doutrina parecem jogar o jogo da “raposa guardiã
do galinheiro”. A raposa sempre criticando as galinhas do
galinheiro, para que pudesse tomar conta do mesmo e comer sozinha
cada vez mais carne de frango. Parece que o Liberalismo enquanto
doutrina filosófica deveria ter seu nome modificado para
“Vampirismo” ou “carrapatismo estatal camuflado”,
seria mais coerente com suas propostas e ações. Na
verdade, a última coisa que um genuíno liberal deseja
é que o governo acabe, pois isso seria retirar o sangue que
alimenta seus intestinos putrefatos pela ganância e pela exploração
do povo.
E por fim, fica então a sugestão aos
liberais: já que vocês querem privatizar tudo, a saúde,
a educação, as empresas estratégicas, a segurança,
a previdência privada, que tal privatizarmos também
os Governos e os impostos que alimentam a voracidade de suas empresas
falidas?? Isso não seria o ápice dessa teoria macaqueada
chamada de Liberalismo?? Fica então a sugestão!!
Cássio Guilherme, MIL-B
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