Morte e descoberta espiritual
A alegria de saber-se em Deus
Há pouco tempo tive uma experiência que diz respeito
a morte, meu pai tinha câncer e após 2 meses em estado
vegetativo veio a falecer, algumas horas antes de morrer deu suas
ultimas palavras, pediu para minha mãe tocar no seu peito
e falou sussurrando “meu coração está
parando”, e assim prosseguiu o seu fim, algo que seria inesquecível.
Ver a morte de perto de um ente tão querido me fez refletir
intimamente o objetivo do homem nesse mundo, aquelas questões
que fazemos ainda quando crianças, como “quem somos?”
e “para onde vamos?”, e para isso nada melhor
do que encontrar respostas em nossos antepassados, eles teriam algo
sábio para dizer sobre a vida/morte. Minha esfera de entendimento
do mundo sempre se absteve no campo político e social, eu
nunca gostei das religiões comuns por partirem de princípios
ignóbeis como a barganha e a ameaça, e como reguladoras
do comportamento humano. Dessa forma senti um vazio no meu lado
espiritual, principalmente por não ter encontrado crenças
transcendentes que realmente fossem conceituais.
Minha compreensão do mundo não-material passou a
se fortalecer ao assimilar o Zoroastrismo, uma crença
étnica vinda do Irã com quase 4 mil anos de existência,
totalmente diferente em seus conceitos. A seguir está um
entendimento resumido da visão de Asha Zarathushtra:
Deus é
uma descoberta interior e inerente ao todo da vida que é
impossível desligar-se de Deus. Essa descoberta liberta o
ser de qualquer obrigação ou temor. A segurança
de se estar dentro de Deus muda o próprio conceito do que
é Deus. Deus não é, então, um ser exterior
a ser adorado, temido e agradado. Antes, Deus é para com
todos os seres, não apenas os humanos, como o átomo
para a matéria. A religião, portanto trabalha para
fazer saber isso, ela é o "limpa pára-brisas"
que nos clareia a visão de onde estamos e de quem somos.

Assim falou Zarathustra
Esse conhecimento, obviamente, resulta numa
resposta. A alegria de saber-se em Deus e que Deus não é
um terrorista fazendo chantagens eternas desobstrui todas as capacidades
humanas de criar o bem, a beleza e a justiça. É claro
que essa resposta, no caso, o lado humano da religião, é
individual, enquanto construção interior de cada um
e comunitária, enquanto as transformações sociais
que ela acarreta. Isso é potencializado pelo desenvolvimento
de uma Boa Mente, a elaboração de Boas Palavras e
a produção de Boas Ações. Cria-se, a
partir dessa resposta do ser humano a Deus e a si mesmo, o mundo
ideal, tanto local como globalmente. Toda essa dinâmica do
conhecimento e da ação independe de mandamentos e
necessita ser livre de qualquer busca de recompensa e de medo de
um suposto castigo. Aí temos Asha, que é o bem pelo
bem, o que organiza o mundo com Ushta, alegria radiante. A escolha
desse caminho tem que ser livre para de fato ser escolha. Ser livre,
nesse caso, implica não estar sob o risco de perder algo
ao optar pelo contrário do proposto por alguém. Mesmo
porque, os que escolhem Asha o fazem para si e a favor do mundo
todo, partilhando assim, os benefícios conseqüentes.
Nesse sistema religioso o
mal é apenas o não conhecimento do bem, o não
saber que o bem é a única realidade. O mal não
tem existência real, apenas circunstancial.
A vivência de Asha engloba o ser
inteiro e também o seu contexto. Asha organiza a Mente, desperta
o Coração, abre os Olhos e derrubas as barreiras.
Embelezar a vida é a função de Asha. Tornar-se
Ashavan não corresponde em nada à conversão.
Ser Ashavan, não implica romper com outras religiões
ou culturas. Pelo contrário, o Ashavan descobre-se mais dentro,
parte e agente de todas as experiências humanas em suas contradições
e paradoxos e isso de forma generosa e não discriminatória.
Por isso mesmo, diferenças como de raça, gênero,
sexo, orientação sexual ou crença são
vistas como positivas e belas, nunca como razão para discriminação.
Por fim, dentro desse espaço de liberdade cada um busca e
descobre como melhor criar a sua espiritualidade. Asha organiza
e catalisa o resultado disso, para o bem e o progresso do mundo.
http://zaratustra14.blogspot.com/2006/09/morte-e-descoberta-espiritual.html
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