O Estado moderno

Obediência às "leis secretas de aniquilamento de todos os povos"

Os Grandes centros produtores, sob a pressão da concorrência e dos gastos enormes exigidos pela técnica, estão em poder dos institutos de crédito.

O Banco, escreve Arturo Labriola, penetra em toda parte: chega até ao proprietário rural através dos empréstimos hipotecários; até ao pequeno e ao médio comerciante mediante abertura de crédito; até ao industrial como criador de indústria. Hoje, o Banco compra diretores e administradores, e cria do nada uma tecelagem, uma estrada de ferro. O banqueiro aprimora os métodos da centralização de capitais, imprimindo ações e partes de ações, conseguindo espalhá-las entre as pequenas economias. Em lugar de um capitalista industrial que dirige em nome próprio os operários, forma-se uma sociedade composta de possuidores de ações desconhecidos, os quais exercem, mediante funcionários, um governo sem nome de pessoas.

Alguém conhece a luta do comunismo contra esta exploração do trabalhador por parte dos banqueiros? - NR.

A fiscalização do Estado nessa engrenagem financeira é nula.

Apesar dos apelos de Lula, ela continua nula até hoje - NR.


O integralista Miguel Reale

Mas como poderia o Estado fiscalizar?

O capitalismo - formado de capitais de todas as proveniências, de todos os países - serve-se do Estado, com o seu exército, a sua política e a sua diplomacia, como quem maneja um boneco.

Os bancos estabelecem-se nos organismos nacionais, controlam as economias, impõem a sua vontade aos produtores e agricultores, aos comerciantes e operários.

E quando estão em dificuldades, ordenam os políticos a realizar aportes financeiros com o dinheiro do contribuinte - NR.

O Estado, hipotecado em uma longa série de empréstimo, é um simples empregado do Estado supernacional-capitalista, cujos primeiros-ministros são quase todos da raça judaica. É este Estado que age no Brasil confusionista e na Rússia Soviética, agita-se ante a reação hitlerista e procura uma passagem no rígido sistema de Roosevelt. A Rússia, especialmente, nos faz pensar. É uma Nação transformada em usina com um único patrão, uma só norma de vida. Estará essa fábrica gigantesca em poder do proletariado?

Um poder financiado pelas Altas Finanças - NR.

No Brasil, não pode pairar dúvida sobre o poder do supercapitalismo. Nossa política reflete operações de crédito irreveladas, negociatas que se fazem no silêncio dos ministérios, em benefício de indivíduos que levam na carteira – sob forma de ações e debêntures – as dores da Nação escravizada.

Só os liberais acreditam na soberania do povo brasileiro.

Só eles acreditam que a nossa imprensa é livre, que não obedece, através da pressão econômica, a institutos de crédito daqui e de fora. Quem não se lembra de certas campanhas espalhafatosas, pagas pelas facções capitalistas?[...]

[...]Nacionalismo, sem anticapitalismo é expressão vazia, motivo poético de política "diletante".

Foi assim pensando, que rapazes patriotas, erroneamente considerados comunistas, concluíram deste modo um relatório palpitante:

"Nós estávamos habituados, até bem pouco tempo, a encarar o capitalismo econômico de um ponto de vista inteiramente falso. Encarávamo-lo como uma expressão de interesses nacionais, expandindo-se em detrimento de numerosos países. Falávamos do imperialismo inglês, do imperialismo norte-americano. Os capitalistas revestiam-se desses aspectos nacionalistas. Hoje verificamos que o capitalismo organizado não tem Pátria e obedece a leis secretas de aniquilamento de todos os povos".

Miguel Reale, jurista

Extraído das páginas 86 e 87 do livro "O Estado Moderno", Miguel Reale, 1934, compiladas e sem alterações, pela Universidade de Brasília, com apoio da Fundação Roberto Marinho, título Obras Políticas 1ª fase, Tomo II, 1983.

Após 70 anos, nos encontramos no limiar de uma nova era. O mundo será outro, bem diferente deste que conhecemos - NR.

 

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