A absoluta constante bobagem
Kawi Schneider entrevista o físico Gotthard
Barth (79) no verão de 1990, em Berlin
Introdução
Eu realizei a entrevista que segue no verão de 1990, em Berlin. Gotthard
visitava aqui também seus amigos da Associação para a Pesquisa
de Energia Descentralizada. Todas nossas tentativas em conseguir
um amplo debate fracassaram de um modo ou de outro. A entrevista que
segue apareceu em pequenos jornais e foi pouco comentada. Juntamente
com Peter Schmidt, eu realizei uma outra entrevista "Einstein
foi um vigarista?", a qual foi ao ar no canal de TV OKB. Apareceram
amargurados protestos como: "Einstein é minha religião!",
"Todo o Universo existe e funciona somente por causa de Einstein!"
Somente esporadicamente ocorreram conversas com especialistas.
Neste ínterim, Gotthard já faleceu. Hoje eu gostaria de enviar
esta entrevista com os correios eletrônicos do dia. Eu espero, em
homenagem a Gotthard, que ela seja prazerosa e contribua em prol do
conhecimento. E que seja repassada. Eu tenho uma grata lembrança de
Gotthard. Quando eu o visitei em sua "Haus Bradley" na Áustria,
no verão de 1989, ele me transmitiu, apesar de toda a crítica, respeito
pela Física. Ele podia narrar tão bem, que às vezes podia-se pensar
que postavam-se invisíveis e satisfeitos atrás dele: Leibniz, Kopernikus,
Newton, Galilei, Bradley, Gauß e outros.
Deficiências na entrevista resultaram principalmente devido à minha
ignorância e naquela época pelo esforço excessivo de Gotthard, cuja
voz falhava freqüentemente. Ele podia escrever fantasticamente. Por
que não existem entrevistas por parte de jornalistas competentes com
ele? E quando ele ainda era mais jovem? Boas perguntas! Literatura
aprofundada abrangendo os Cossenos de Bradley, as Transformações de
Galileu e as Transformações de Lorenz e outras: Gotthard Barth, "Der
Gigantische Betrug mit Einstein" (O grande golpe com Einstein),
Eigendruck 1987.
A Entrevista
Kawi Schneider: Eu vi há pouco aqui na televisão
norte-americana, que uma parte do cérebro de Einstein foi novamente
analisada e alegadamente comprovada que a qualidade de suas células
nervosas e do cérebro é várias vezes superior do que a de uma pessoa
comum. Qual é este alegado singular desempenho de Einstein e qual
é seu comentário crítico a esse respeito?
Gotthard Barth: (...) é um mito com Einstein. Isso
que nós denominamos hoje de Teoria de Einstein, que consta
nos livros de Física, foi desenvolvida no final do século passado
por toda uma série de diferentes físicos e matemáticos.
Kawi Schneider: Me desculpe se eu o interrompo, porém,
se diz que a Teoria da Relatividade é de Einstein. Einstein chegou
a uma fórmula,
a qual eu nunca entendi, ela devia ter sido descoberta por ele e
ela deve ser a Teoria da Relatividade. Isso não foi uma novidade?
Gotthard Barth: Não, isso não foi uma novidade!
Na história da ciência é como na História mesmo, uma grande parte
é contada, parte esta formada como opinião comum e então adotada
pelos historiadores. Agora, onde nós temos a possibilidade de seguir
os detalhes e as fontes se revelam à luz do sol, os fatos aparecem
de uma forma totalmente diferente daqueles impressos nos livros
de história. O problema estava no século passado: Ao final das contas,
o que é luz? O século passado foi uma época de enorme crença no
desenvolvimento. Ernst Haeckel escreveu o livro "Die Welträtsel"
[Os mistérios do mundo], e ele esperava que em pouco tempo, em poucas
décadas, os mistérios do mundo teriam sido resolvidos.
Um dos problemas que não tinham sido resolvidos era a pergunta:
o que é a luz? A luz é formada por pequenas partículas, de corpúsculos,
ou a luz é uma vibração de algum Meio? Ao final do século passado,
esta pergunta pareceu ter sido finalmente decidida. O físico inglês
James Clark Maxwell desenvolveu uma Teoria do Éter Luminífero e
esta teoria foi aceita amplamente pelos físicos. A Teoria Corpuscular,
a teoria das partículas, estava acabada. E agora queria-se ainda
uma prova exata para esta Teoria do Éter Luminífero: O inerte Éter
preenchia todo o mundo; e naturalmente a Terra, a qual não está
em repouso no Éter, mas sim move-se através dele e ao redor do sol,
e diariamente move-se em torno de seu próprio eixo, e o sol também
move-se com grande velocidade através do espaço. Ou seja, devia-se
de alguma forma determinar este movimento no Éter. Tentou-se ...
Kawi Schneider: ... o movimento das ondas de luz?
Gotthard Barth: Não, o movimento da Terra no Éter.
Kawi Schneider: Mas você bem disse que tratava-se
da luz. E se a luz é onda, ao invés de partícula, então significa
que deva existir um Meio onde a onda vibre.
Gotthard Barth: Onde a onda vibre, sim. Se a luz
é uma vibração, então deve ser algo que vibre.
Kawi Schneider: E isso chama-se Éter.
Gotthard Barth: Chamou-se neste tempo de Éter.
Hoje é diferente, os Matemáticos falam de "campos vetores vibrantes",
isto é totalmente abstrato, um termo puramente matemático, não podendo
imaginar algo a respeito. Foi dado portanto a possibilidade através
desta teoria, ou pareceu ser possível, que com a ajuda da velocidade
da luz - as medições foram nesta época extraordinariamente exatas
-, podia-se determinar a velocidade da Terra no Éter. A idéia proveio
do próprio Maxwell.
E então, um jovem físico polonês que havia emigrado para os EUA,
Michelson, aproveitou este raciocínio. Ele construiu uma série de
Interferômetros, ou seja, aparelhos através dos quais pode-se medir
a velocidade da luz com bastante precisão. Não a própria velocidade
da luz, mas sim cada pequena alteração da velocidade da luz. Ele
foi convidado por Helmholtz para ir até a Universidade de Berlin,
onde este experimento poderia ser executado. Ele foi então para
lá em 1881, mas não houve qualquer possibilidade na Universidade
em encontrar um fundamento para esta experiência. Por isso ele dirigiu-se
para o observatório de Babelsberg, onde a experiência foi levada
a cabo em 1881. A teoria deste experimento é extremamente complicada.
Trata-se de diferenças bem pequenas da velocidade da luz. Mas os
aparelhos inventados por Michelson estavam na condição de medir
tais diferenças. O resultado desta experiência, entretanto, foi
negativo.
Kawi Schneider: Qual alteração? Que a luz se mova
mais devagar devido à rotação da Terra?
Gotthard Barth: Segundo a teoria de Maxwell, vêm
ao caso duas velocidades. Uma é a velocidade da luz (300.000 km/s)
no Éter, a qual nós indicamos na Física como c, e a outra é a velocidade
da Terra no Éter, que se move ao redor do Sol, que é indicada por
v. E agora depende: se a luz se move na mesma direção da Terra,
então as velocidades são subtraídas; se elas se movem em direções
opostas, então as velocidade são adicionadas. E entre estes limites,
entre velocidade da luz mais velocidade da Terra, c + v, e velocidade
da luz menos velocidade da Terra, c - v, entre estes limites deveria
ser possível observar da Terra a velocidade da luz através de medição
bem precisa. O resultado foi negativo. A velocidade da luz na Terra
é igual em todas as direções !
Se se aborda o tema sem teoria - por quê a velocidade da luz deve
ser de alguma forma diferente para oeste, sul, para o norte, para
cima, para baixo ? Isto não foi problema algum ! Mas se a teoria
de Maxwell está certa, se a Terra se move no Éter e a luz também
se move no calmo Éter, então a velocidade da luz na Terra deveria
ser diferente nas diversas direções.
Kawi Schneider: Pode-se colocar desta forma, tinha-se
pensado que a Terra move-se através de um imóvel Éter, da forma
que mesmo na direção do deslocamento exista um tipo de resistência,
como uma espécie de vento contrário, na direção oposta. E contra
este vento contrário, a luz deveria ir mais devagar do que na outra
direção.
Gotthard Barth: Assim desta forma.
Kawi Schneider: Entretanto , a verdade era: a luz
tem a mesma velocidade para todas as direções.
Gotthard Barth: Com a velocidade
da luz é como com o som. No ar em movimento, o som é levado pelo
vento, com isso ele se move mais rápido; se o som se move contra
o vento ele é freado e a velocidade diminui.
Kawi Schneider: Ou seja, o
experimento de Michelson em Potsdam-Babelsberg mostrou que não existe
o vento contrário contra a rotação da Terra, ou a velocidade da
luz é a mesma apesar do vento contrário. Pode-se dizer isso ?
Gotthard Barth: Isto está correto. A teoria do
experimento de Michelson é muito complicada, tanta coisa é presumida
que os Físicos tentaram naturalmente comprovar antes de tudo as
condições pressupostas. Infelizmente isso aconteceu muito pouco.
Para isso se discutiu as possíveis possibilidades de solução. Que
a Terra carregue o Éter consigo e então a Terra repouse no próprio
Éter, de forma que o efeito, que deve existir segundo a Teoria,
não pode ser observado. Então tentou-se explicar a velocidade da
luz cospuscularmente, como partícula que se move através do Éter,
que são independentes do movimento da fonte. Se um canhão está parado,
o projétil tem outra velocidade daquela que teria se o canhão estivesse
em movimento, e assim por diante.
Kawi Schneider: Então retornou-se
para a Teoria Corpuscular novamente ? Ela deveria já ter sido página
virada !
Gotthard Barth: Esperou-se
isso ! Esperou-se que com a Teoria de Maxwell este problema fosse
resolvido, e o experimento de Michelson deveria ter sido a última
confirmação experimental. Mas isso não se confirmou. Agora foi o
ponto crucial: Deveria desistir da teoria ou podia-se preservar
a teoria, poderia-se encontrar uma nova explicação, etc. Mas esta
pergunta foi pouco trabalhada pelos teóricos, averiguou-se pouco
se uma possibilidade física existe, mas iniciou-se precipitadamente
com os cálculos. Já em 1887, em Göttingen, o especialista em cristais,
Woldemar Voigt, calculou o experimento de Michelson que de fato
a velocidade da luz era idêntica em todas as direções.
Kawi Schneider: O que quer dizer calculou ? Eu
penso que tenha sido o resultado de uma medição, o que tinha lá
para calcular ?
Gotthard Barth: Os resultados medidos deveriam
ter sido coerentes com a teoria! Segundo a Teoria de Maxwell, existem
diferentes velocidades da luz. E agora deve-se mudar o cálculo de
forma que idênticas velocidades originem-se da Teoria de Maxwell.
Kawi Schneider: Eu acho que a Teoria de Maxwell
previu diferentes velocidades da luz?!
Gotthard Barth: Isto é correto, eu estou dizendo
isso.
...
Aguardem a continuação da entrevista!
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