Telegonia

Um caso de metaquímica?


Existem diversos relatos históricos sobre o antigo direito do soberano das terras à primeira noite com as desposadas de seus servos. Tal suposta prática era denominada jus primae noctis ou direito da primeira noite e teria se modificada, como descreve Dias Gomes, no direito da pernada: ao invés de consumar o ato sexual, o soberano colocava o joelho ou as pernas entre os recém-casados, no leito nupcial, simbolizando assim aquela antiga tradição.

Várias vezes associada ao Feudalismo europeu, o direito da primeira noite parece ser bem mais antigo. No épico de Gilgamesh, literatura mesopotâmica, há relatos de tal prática.

Mas juntamente com as insinuações classistas inerentes à influência marxista da sociedade atual, onde o jus primae noctis era uma das formas da elite oprimir o povo, existiram outras abordagens que tentaram explicar esta violência à integridade humana. Estas explicações provêm do arcabouço racial presentes na ciência do século XIX.

Para se ter uma idéia desta abordagem, segue um trecho do livro de R. John Gorsleben, “Casamento da humanidade”, e que pode ser baixado aqui (pdf, 37MB). O autor apresenta uma tese de supremacia racial através da inseminação da população feminina por parte dos soberanos.

“Grandes eras e pessoas reconheceram que nem toda mistura racial é inofensiva. Miscigenação racial com raças situadas bem abaixo – mesmo com quase similares em proporções exorbitantes – deve ser sempre prejudicial à raça mais elevada. Ela será pressionada em todos os casos a alguns patamares abaixo de seu nível de pureza, porém, sofrerá frequentemente também a total queda de sua unidade, como nos mostra a história dos povos – que nada mais é que a história de suas raças, se quisermos realmente pesquisar suas verdadeiras causas.

Como a mistura racial influi em um único casal, é provado aqui pela lei da 'procriação à distância'.

A força germinativa do homem passa sabidamente através da gravidez para o sangue da mulher. Seu sangue circula então no sangue da mulher e modifica-o em determinado grau, como mostrou pesquisas químicas. Todavia, influi nisso também questões da alma, sentimentos e impressões que nunca se perdem na mulher, e especialmente quando o ato sexual tem longa duração e há amor mútuo, aprofundando o relacionamento. Estas coisas já são bem conhecidas como impressões e fatos para poderem ser desmentidas. Uma mulher será principalmente determinada pelo homem, para o qual ela se entrega virgem. Esta mistura corporal, espiritual e da alma, tem conseqüências na herança hereditária; as crianças de uma união da mulher com um segundo homem herdarão a carga genética do primeiro homem, mesmo que ela não tenha tido a concepção, pois apenas o esperma já atua como fator de mudança pela sua própria presença. Tal criança do 'segundo casamento' é determinada, impressionada, impregnada, cunhada, no fundo, pela característica corporal e da alma do primeiro homem. Denomina-se este fato através da expressão científica 'impregnação fisiológica' ou como também se diz, 'telegonia', em alemão, procriação à distância (Fernzeugung), e entende-se sob esta expressão a influência do esperma recebido exteriormente pela mulher, ou numa gravidez, ou seja, a duradoura influência em todos os nascimentos posteriores através do primeiro contato com o esperma masculino ou um acasalamento com sucesso.

No romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, há aqueles que tomam a suposta traição de Capitu, relatada neste romance pela visão unilateral de seu marido, Bentinho, como um caso de “impregnação fisiológica”. Neste romance, a semelhança do filho de Bentinho e Capitu com o “comborço Escobar” seria um produto da telegonia – NR.

Tal experiência já é de conhecimento dos criadores de animais e cada criador aqui se orienta caso ele queira uma linhagem pura.

A impregnação da fêmea, sua sabida impregnação duradoura através do primeiro homem que a possuiu, deixa-se explicar pelo fato dos complexos moleculares se desprendem das células do embrião, caem na corrente sangüínea e se depositam nas células da mãe, a princípio nas células sexuais, a partir das quais são usadas na concepção de um novo embrião, também originário de um outro esperma. Pode-se falar de uma hostilidade do primeiro esperma contra todos os outros posteriores espermas. Aqui se tem um caso de metaquímica, sobre a qual, de qualquer forma, nós temos pouco conhecimento.

Apóia no conhecimento destas coisas o antigo costume da 'Jus primae noctis', o direito da primeira noite pelo senhor ou sacerdote, que tinha por motivo a procriação da população, e não representava somente uma desordem, um abuso do poder.

Como conseqüência destas medidas, em muitas regiões de conflito a raça foi enobrecida através do superior domínio racial e espiritual. Nas crendices populares de muitos povos, este costume reserva a primeira noite aos deuses ou demônios, uma lembrança de uma prática, um mandamento, proveniente dos arianos, dos 'deuses', quando eles povoaram o mundo para procriar a humanidade, a qual eles encontraram normalmente em um patamar muito baixo”.

 

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