Caem as folhas estatais
Começa a série de falências dos Estados
No outono, como é de conhecimento geral, as folhas das árvores caem. Entretanto,
o outono de 2008 é especial: também caem generalizadamente os Estados
e suas moedas.
A fase 3 da crise financeira mundial iniciou-se. Até o verão de 2008, ela estava
restrita ainda ao setor bancário; agora ela avança para a economia
real e sobre os Estados.
Juntamente com vários países, a economia real desaba mundo afora neste exato
momento. O que se notava até agora somente nos EUA, a velocidade
da bancarrota acelerou radicalmente. Devemos contar já no primeiro
semestre de 2009 com a falência dos Estados, mais hiperinflação.
A corrida aos Estados começou
Meu último artigo, há 3 semanas (Acabou
o "papel moeda"), tratou a corrida generalizada aos bancos na
Europa e o combate através de garantias generalizadas estatais para
todos os bancos, porém, decisivamente a situação agravou-se agora.
Naquele momento somente a Islândia estava em bancarrota, agora são de facto
muitos outros, principalmente na Europa Oriental:
- Hungria
- Ucrânia
- Bielo-Rússia
- Sérvia
- Polônia (iniciando)
- Turquia (iniciando)
- Romênia
- Argentina - de novo!
Todos esses países tinham enormes dívidas externas e um grande déficit comercial.
Da mesma forma eles tentaram salvar seus bancos. Até os títulos
do tesouro e a moeda foram vendidos.
Mesmo a Rússia está próximo ao perigo com uma reserva de 500 bilhões de dólares.
Lá, os oligarcas vão falindo um após o outro, pois suas ações foram
vendidas a crédito. A dívida externa é quase tão grande como as
reservas, pois não há suficiente poupança interna.

Oligarquia russa teve perdas gigantescas
Os oligarcas, empresas e bancos recebem agora dos bancos ocidentais suas "Margin
Calls", ou seja, mandar dinheiro ou saldar os créditos. Estupidamente
estes créditos são em dólar. Executar tais medidas é muito difícil
no momento. Notícias recentes indicam que até o gigante do gás –
Gazprom – apresenta dificuldades para rolar suas dívidas.
Que aparência tem um Run a um Estado?
De modo geral, isso acontece quando se perde a confiança no pagamento dos empréstimos
através dos Estados ou dos bancos do sistema.
Um bom exemplo é a Hungria:
Há algumas semanas, falhou uma venda de títulos do tesouro. Consequentemente
foram desvalorizados os títulos correntes e a moeda Forint.
Desde então na Hungria, somente com dificuldades se obtém Euro,
Dólar ou Franco suíço, embora para isso haja uma grande quantidade
de Forint nos bancos. Isto em um país onde a grande parte
da dívida está em moeda estrangeira (as pessoas não se tornam mais
espertas e olham somente para o momentâneo baixo nível de crédito).
Neste ínterim, o BCE, FMI e Banco Mundial injetaram 20 bilhões de Euros no
sistema húngaro, pois querem evitar um incêndio generalizado.
O FMI parte de um pacote de salvamento de cerca de 600 bilhões de dólares,
os quais devem fluir para diversos países emergentes, para salvá-los
do abismo.
Como seria a bancarrota de um Estado sem esta ajuda?
Standard, Gyurcsany:
Nothilfe von IWF und EU rettete Ungarn vor Bankrott
Um pacote de ajuda do FMI e da UE, anunciado no meio da semana,
salvou a Hungria segundo o Presidente Ferenc Gyurcsany da falência
financeira. A crise financeira mundial teria levado a Hungria
a "uma falência do Estado com simultânea crise social, caso nós
não tivéssemos feito nossa parte corretamente", disse Gyurcsany
em uma entrevista.
Seu governo de minoria socialista já tinha contado com o pior. "Durante vários
dias fomos assolados com a perspectiva do pior roteiro", descreveu
ele na entrevista a moral do gabinete. "Como o Forint se desvalorizou
para uma cotação em relação ao Euro de 350 até 400, contra 250
anteriormente, rapidamente teríamos uma inflação de 20 até 30
por cento, cuja conseqüência seria a perda de renda das pessoas
em um quarto ou um terço."
Ou seja:
- impossibilidade de conversão da moeda, com isso não havia mais importação
- explosão da inflação através da desvalorização
- juros altos, crédito escasso
- falência de todos os devedores em moeda estrangeira
- protestos em massa contra o governo
- empobrecimento total, fome, paralisia da economia etc.
Notável é que 1/3 dos moradores da Islândia querem emigrar. No início se tentou
negar a falência do Estado, agora é fácil perceber suas conseqüências,
as importações desapareceram.
Quando as "Vacas Sagradas" serão atingidas?
Até agora, somente os países da "periferia" foram atingidos, alguns na América
do Sul ou Europa Oriental. As Vacas Sagradas Europa Ocidental (zona
do Euro) e os EUA não foram ainda atingidos. Mas é só uma questão
de tempo para que isso aconteça.
Precisamente, existem dentre as Vacas Sagradas duas "Vacas Super-sagradas":
os Títulos do Tesouro americano e alemão (alguém ter que ser santo):
O Financial Times mostra em sua página
de Bonds os Spreads (diferença dos juros) para estes empréstimos
– em relação ao período de 10 anos.
Os títulos do tesouro alemão são caracterizados como "Bund" (é chamado assim
no mundo financeiro) e referência para a região do Euro.
T-Bonds (deveria se chamar de fato T-Note) é o título do tesouro norte-americano
e vale como referência para todos os juros de longo prazo em toda
a área do dólar.
Uma diferença positiva dos juros significa que o país paga mais juros pelo
mesmo título do tesouro que o país de referência; uma diferença
negativa, ele para menos.
Comparar diretamente somente é possível na mesma área monetária, como a zona do Euro.

Tabela de 3 de novembro de 2008
Todos acompanham com aguçados olhos estes Spreads, principalmente na área do
Euro. Pelos Spreads e principalmente de suas alterações, pode ser
avaliado se os títulos de um Estado estão sendo vendidos (Spreads
subindo), ou se o dinheiro flui para lá.
Candidatos primários da zona do Euro para a bancarrota
Se observarmos estes Spreads, notamos dois países com um Spread acima de 1%:
- Itália
- Grécia (principalmente)
Ambos os países têm além disso Spreads ascendentes. Ambrose Evans-Pritchard
mostra em seu artigo - Investors
shun Greek debt as shipping crisis deepens – o porquê:
Também começa a causar tensão na Grécia, onde a Spread entre os títulos gregos
de 10 anos e o German Bund subiu ontem para um recorde de 123
pontos.
A Grécia tem uma conta corrente deficitária de 15% do PIB, a maior da zona
do Euro. Os investidores fecharam os olhos para tal fato durante
a fase de boom, mas agora eles começam a se preocupar com qualquer
país que tenha déficit de dois dígitos.
A crise internacional do transporte marítimo atinge particularmente a Grécia,
que tem presença marcante neste setor. Além disso, o país tem um
forte déficit comercial externo de 15%.
Como os Spreads destes dois países aumentam sensivelmente, pode-se considerar
que nos próximos meses seja necessário um Bailout ou eles devam
abandonar o Euro. Tal Bailout seria muitas vezes maior do que aquele
destinado à Hungria, com 20 bilhões de Euro.
Que tal Bailout, devido à balança comercial positiva, somente poderia vir da
Alemanha, reforça tal declaração:
Bernard Connolly, estrategista global do banco AIG diz que a zona do Euro
se desintegrará possivelmente por completo, salvo que haja uma
ação de salvamento através da Alemanha, e devido à sua ordem de
grandeza, corresponderá aos pagamentos reparatórios impostos a
Berlin pelo Tratado de Versailles, após a Primeira Guerra Mundial.
"O estouro da bolha de crédito na União monetária européia parece
estar próxima e aumentará o déficit da balança produtiva dentro
da zona do Euro, o que é muito perigoso. A duração a médio prazo
da zona do Euro diante da situação atual é muito duvidosa", disse
ele.
O povo alemão permitirá isso aqui? O governo com certeza. Talvez tal Bailout
fosse tecnicamente impossível, pois as exportações alemãs estão
retraindo justamente agora.
Candidatos secundários da zona do Euro para a bancarrota
Vejamos os países da zona do Euro com um Spread maior que 0,5%:
- Bélgica
- Finlândia
- Holanda
- Portugal – já está próximo a 1%
- Espanha
- Áustria tinha a poucos dias um Spread de 0,8%; agora já está em 0,66%.
Portugal e Espanha são casos análogos à Itália, além disso com um grande déficit
da balança comercial.
Finlândia e Áustria têm o problema que seus bancos estão fortemente envolvidos
na Europa Oriental em desmoronamento. Somente a Áustria foi credora
de cerca de 300 bilhões de Euros. Somente se 1/3 deste crédito for
irrecuperável, todo o Bailout de 100 bilhões de Euros foram completamente
exauridos. Uma bancarrota do Estado é certa então.
O Euro em queda
Eu representei aqui a relação entre o Euro e o dólar e os Franco suíço.

Relação Euro x Dólar

Relação Euro x Franco suíço
Pode-se ver calmamente que o Euro perdeu fortemente terreno para o dólar desde
julho. Naturalmente entram aqui a manipulação da moeda (o dólar
foi valorizado) e a momentânea escassez de crédito (em princípio,
as dívidas em dólar devem ser pagas). Mas isso não explica esta
queda.
Mais interessante é talvez a comparação com o Franco suíço (CHF). O Euro caiu
aqui de 1,65 para 1,475 CHF, principalmente em outubro 2008. Isso
mostra que o Euro vem sendo vendido maciçamente. Confia-se cada
vez menos nesta moeda artificial. Vários já autores escrevem sobre
uma paridade 1:1 com o dólar, embora este próprio seja somente papel
higiênico.
Como se transforma uma moeda em "papel higiênico"
Como se faz isto? Imprime-se muito. A seguir apresento os gráficos do balanço
do FED (Federal Reserv) e do BCE (Banco Central Europeu):

Balanço do FED
Podemos ver claramente que após um ascensão lenta e continuada por vários anos,
ocorreu um salto para cima nos últimos dois meses. O FED dobrou
seu balanço dentro de poucas semanas (a soma de todo o dinheiro
emprestado). Não é de se surpreender empréstimos frequentemente
superiores a 100 bilhões por dia para pouca ou nenhuma garantia.
Entrementes, os títulos do tesouro também são monetarizados para cobrir o gigantesco
déficit das contas públicas de cerca de 500 bilhões em um mês! A
grosso modo resulta num déficit anual de 6 trilhões. Naturalmente
não há compradores no mercado, portanto, este dinheiro é impresso
(eletronicamente) pelo FED. A hiperinflação em ação.
No próximo gráfico (ambos do The Case
Report, de 11/2008) vemos que não é melhor no BCE. Este aumentou
seu balanço para 600 bilhões em 4 semanas. O mesmo jogo hiperinflacionário
como nos EUA.

Balanço do BCE
No caso do BCE, são somente ajudas diretas aos bancos. Os títulos públicos
não são ainda monetarizados em grande escala. Isso virá quando,
como no caso norte-americano, as garantias estatais do Bailout forem
suprimidas (provavelmente logo) e os novos títulos não forem mais
vendáveis no mercado.
Venda dos Bunds e dos Treasuries
Pelo momento se tenta, principalmente o FED, construir um "muro de dinheiro"
(wall of money), para proteger do colapso diversos países como o
Brasil ou Coréia do Sul. O BCE faz algo semelhante com a Europa
Oriental, mas ainda me pequena escala. Na realidade, os Títulos
do Tesouro destes países estão sendo monetarizadas pos ambos os
Bancos Centrais, quer dizer, passar para outros este lixo venenoso
que estes Bancos Centrais já possuem.
O que é feito aqui é uma política hiperinflacionária em escala mundial, através
da qual se deseja superar a tendência deflacionária da atual escassez
de crédito.
Não somente os Estados estão diante do colapso, mais de 3.000 Hedge-Fonds também
estão. Por toda parte o dinheiro é retirado em pânico. A torre de
dívida do mundo está desmoronando no momento e os Bancos Centrais/Estados
tentam evitar isso com todos os meios.
Sabedoria militar: quem tenta defender tudo, nada defende.
Exatamente este "defender tudo" é praticado atualmente pelos bancos e Estados.
Pois não se quer arriscar um Run do sistema com correspondente
"falta de confiança". Agora ainda não.

A águia está nua
Mark Faber aqui em Semana Econômica: Suicídio Econômico
A única bolha que ainda não estourou nos EUA, são os juros das obrigações estatais.
Como o déficit público aumenta fortemente, os juros dos Títulos
do Tesouro devem aumentar da mesma foram devido ao temor de inflação.
A seguir veremos uma tendência deflacionária. Casas estão baratas, ações e
matéria-prima também – e os bancos restringem o crédito por toda
a parte. Mas governos e bancos centrais entopem indefinidamente
liquidez no sistema. Isso é horrível. Para onde isso leva, vê-se
no Zimbabwe: numa depressão com hiperinflação.
Exatamente sobre isso se trata aqui: a bolha dos títulos públicos deverão também
estourar, mas tenta-se evitar isso por todos os meios. Por isso
o preço do ouro é pressionado para baixo de todas as formas.
Quando o preço do ouro explodir
Existem por hora diferentes artigos
que indicam aparecer no momento, no mercado, enormes barras de ouro.
Algumas são de pouca pureza, como as moedas de ouro dos EUA, de
1933. Os bancos centrais e o Fmi esvaziam seus porões de ouro, esvaziam
também aqueles cantos de difícil acesso. Deve ser o último restinho.
A única coisa que está entre o presente e a verdadeira hiperinflação é a venda
dos Títulos do Tesouro dos EUA e da Alemanha por ouro. Por isso
o preço do ouro deve ser mantido a níveis baixos, melhor ainda fazê-lo
cair continuamente. Somente uma pequena alta poderia levar elevadas
somas de dinheiro para o ouro. Por isso a elevação do preço do ouro
é evitada a todo custo (enquanto for possível, é claro).
Os "poderosos" não têm tantos meios
Quem acredita que os governos e os bancos centrais podem simplesmente proibir
ditatorialmente a posse de ouro e poderiam forçar para o Tesouro
dos EUA, se engana. A única coisa que pode ser influenciada globalmente
é a psicologia das massas:
- uma proibição do ouro poderia ser aplicada somente no próprio país sob grande
esforço e despertaria uma corrida gigantesca mundo afora ao ouro
- Títulos do Tesouro dos EUA e outros poderiam ser colocados somente em seus
próprios países à força (empréstimo compulsório)
- Os EUA recuam cada vez mais como os consumidores do mundo, acarretando que
a compra de Títulos do Tesouro norte-americano não seja mais rentável
para paises como a China. Somente o temor diante de um colapso
conjunto ainda funciona.
- O militarismo dos EUA é somente uma sombra do que era no passado e se presta
cada vez menos para garantir a hegemonia do dólar.
- O que ainda funciona bem é uma mistura de mentiras estatísticas, influência
sobre as mídias e a manipulação de mercados importantes. Tudo
é psicologia.
Assim que este último ponto não funcionar mais e a bancarrota corrente da economia
real for evidente, já era. A retirada das "Super Vacas Sagradas"
Bunds e Treasuries e a busca por segurança no ouro, assim como em
bens reais, transformar-se-á em pânico generalizado das massas.
O próximo Run será de todo sistema financeiro para valores
reais
Então irão à bancarrota também os EUA e toda a União Européia – Falência dos
Estados em ampla frente e hiperinflação. Provavelmente em algum
momento durante o primeiro semestre de 2009.
Déficit público horrível traz inflação horrível.
A tabela abaixo, de Bud Conrad, também provem do já mencionado Casey Report
e mostra diferentes países após a Primeira Guerra Mundial. Ela mostra
o déficit público (na maioria, acima de 50% do orçamento, o dinheiro
para isso é impresso), assim como a inflação após um ano.

Déficit público
Os atuais pacotes de salvamento dos bancos, indiferente se nos EUA ou na Alemanha,
resultarão em déficits anuais acima dos 35% indicados aqui na tabela.
A hiperinflação surgirá, assim que a bolha dos títulos públicos
estourar nestes países.
A hiperinflação de Weimar II saúda a todos, mas desta
vez globalizada.
Para uma retirada segura para o ouro e prata é tarde demais para a maioria,
pois quase nada mais está disponível no mercado. Este bote salva-vidas
foi ocupado definitivamente.
Resta apenas uma fuga para os bens reais de diferentes tipos. Um acúmulo de
reservas principalmente de artigos importados pode ser já hoje recomendado.
Assim que a pressão sobre o preço do ouro ceder e ele
disparar vigorosamente, então chegou a hora: salve-se quem puder
de todos os papéis.

Quando o preço do ouro atingir 1000 dólares/onça, então é o fim destes dois
senhores e de seus sistemas monetários.
O sol dourado queimará rapidamente seu império de papel. Eles apenas ganham
tempo – como sempre. A Islândia também ganhou tempo, o mais que
pode – o resultado é conhecido. Esta folha já caiu. O resto também
cairá – logo.
Fonte: hartgeld.com
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