Bancos internacionais socorrem a si mesmo

Bolsas continuam turbulentas e banco brasileiro pode ser afetado


A situação de crise nos EUA, no curto prazo, só preocupa um grande banco brasileiro. A instituição já perdeu R$ 650 milhões em investimentos no mercado norte-americano. Não será surpresa se tal banco for socorrido por algum de fora ou anunciar uma fusão com outro banco maior, como o Bradesco ou o Itaú. Tirando a situação mais delicada deste banco, os demais aguardam aqui o efeito da crise lá fora.

Embora preocupadíssimo, o presidente Henrique Meirelles faz teatrinho do João Minhoca na Mídia. Ontem à noite correu para dar uma entrevista exclusiva ao Jornal da Globo, da Rede Globo, para garantir que está tudo bem com o Brasil. Meirelles sabe que nem tudo está. Pelo menos com um de nossos grandes bancos. O Banco Central acompanha o problema de perto. Para as empresas, a dificuldade será captar empréstimos no exterior.

Por conta da crise financeira internacional, os saudáveis e lucrativos bancos brasileiros perderam 25% de seu valor de mercado neste ano. Passaram de US$ 229,9 bilhões em dezembro para US$ 172,5 bilhões na última sexta-feira. Os números são da consultoria Economatica. Na verdade, desde o Proer, sistema bancário brasileiro passa por constantes ajustes, e aproveita a boa fase de lucros recordes com a política de juros elevadíssimos e as altíssimas taxas de serviços cobradas dos clientes, além da farra de ganhos com os empréstimos.

Ganhar dinheiro sobre o trabalho alheio através da política de exploração pelos juros parece ter caído no lugar comum da transformada medíocre sociedade contemporânea. Após a maior crise financeira de todos os tempos, o mundo nunca mais será o mesmo. O divisor de águas chamar-se-á: Luta contra as Altas Finaças - NR.

Enquanto os banqueiros (que sustentam o desgoverno) permanecerem fortíssimos, nada muda no Brasil, principalmente em termos de política econômica monetarista. Os grandes bancos daqui (Bradesco e Itaú) contam com sólidas participações de bancos estrangeiros. O Bradesco tem 25% de seu capital pertencentes a bancos de fora. O Itaú tem 7,5% de suas ações sob controle do Bank of America. Por isso, se houver problemas refletidos aqui, o socorro sistêmico vem junto. A Oligarquia Financeira Transnacional adora especular, mas nunca joga para perder no Cassino econômico do Al Capone.

Alguém acredita que os banqueiros do Lehman Brother perderam dinheiro com a declaração de insolvência do banco? - NR.

A crise de gestão no sistema financeiro norte-americano tem efeitos psicológicos negativos sobre o mercado especulativo. Mas os problemas têm dimensão menor que o apresentado pela mídia econômica. A própria Oligarquia Financeira Transnacional vai resolvê-la. Um consórcio de 10 instituições financeiras privadas criou um programa de empréstimos de US$ 70 bilhões para enfrentar a crise de crédito. Cada um dos 10 bancos injetará US$ 7 bilhões no fundo de socorro aos bancos necessitados. Os bancos participantes poderão receber uma injeção de liquidez máxima de aé um terço do valor total do fundo.

Um paliativo para o momento, porém, a crise não tem mais solução. Quando a bomba dos derivativos explodir, "bilhões de dólares" serão como centavos para resolver o problema - NR.

O Federal Reserve (FED, banco central privado americano) promove até às 15h 15min de hoje uma reunião em que deve manter o juro estável nos Estados Unidos. O FED já reduziu a taxa para 2%, em sete movimentos de corte desde meados de setembro de 2007 até abril, para tentar proteger a economia da crise imobiliária e de uma eventual fuga de capitais. O fluxo de capital para os Estados Unidos apontou uma saída de US$ 74,8 bilhões em julho. O objetivo do FED agora é conter a turbulência em Wall Street após a falência do Lehman Brothers e as dificuldades financeiras do grupo segurador American International Group (AIG). As demais bolsas do mundo continuam nervosas e com índices em queda.

Dirigido pelos banqueiros internacionais, o FED aposta no sucesso do colchão financeiro de defesa criado no domingo passado pelos bancos HSBC Holdings (Reino Unido), Bank of America (EUA), Deutsche Bank (Alemanha), JPMorgan Chase (EUA), Royal Bank of Scotland (Reino Unido), BNP Paribas (França), Banco Santander (Espanha), Citigroup (EUA), Barclays (Reino Unido) e UBS (Suiíço). Também devem colaborar com o fundo os bancos Mitsubishi UFJ Financial (Japão), UniCredit Group (Itália), Mitsubishi UFJ Financial (Japão), BBVA-Banco Bilbao Vizcaya (Espanha), Wells Fargo (EUA), HBOS (Reino Unido), Lloyds TSB Group (Reino Unido) e Royal Bank of Canadá.

O sistema bancário dos EUA passa por transformações A FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation, Corporação Federal de Seguro de Depósito), órgão do governo norte-americano responsável por garantir as operações do setor, informa que 28 bancos pediram falência nos Estados Unidos neste ano, sem contar o Lehman Brothers. Nos EUA, no caso de quebra de um banco, seus correntistas podem receber de volta os depósitos até o valor máximo de US$ 100 mil, ou US$ 250 mil no caso dos planos de previdência privada.

Os dirigentes da política monetária norte-americana e mundial - os plutocratas - utilizam-se no momento de artificios de todos os tipos para manter o pescoço acima da linha dágua. Até então os inabaláveis senhores de Wall Street, JP Morgan e Goldman Sachs, estavam fora das manchetes. Mas parece que Primus já começa a perder o fôlego - NR.

No Brasil, liga-se apenas o sinal de alerta. O País não está imune às turbulências. Quem adverte é o economista Yoshiaki Nakano. O diretor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) observa que o nível de vulnerabilidade do Brasil é baixo e o fluxo de capital externo não será interrompido no curto prazo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a afirmar hoje que a crise financeira norte-americana não vai afetar tanto o Brasil. Mantega e o presidente Henrique Meirelles (do Banco Central) se vangloriam das atuais reservas de US$ 200 bilhões.

Jorge Serrão, jornalista, radialista e publicitário

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