Marechal de Campo Erwin Rommel e o 20 de julho

A raposa do Deserto - "zäh wie Leder"


Lendo as notícias que nos vêm da Alemanha de hoje, vejo que se comemora lá a data de 20 de julho. É a data em que no ano de 1944, quando o fim da guerra se aproximava, houve o atentado a bomba relógio contra Hitler. Aconteceu no Quartel General do Führer, então na Prússia Oriental. A bomba explodiu durante uma reunião, na qual estavam Hitler com mais 24 pessoas e fora ali depositada pelo Coronel Claus Schenk Conde de Stauffenberg. Este conseguiu se retirar em tempo e até pegar um avião de regresso para Berlim onde deveria ser aguardado pelos seus colegas de insurreição. Morreram ali quatro dos participantes da reunião e mais sete ficaram feridos. Além de um ferimento no braço Hitler nada sofreu. Devido à ação rápida do Major Otto Remer, comandante do batalhão de guarda em Berlim, a conspiração foi abafada no mesmo dia.

O grupo de conspiradores foi logo identificado e, evidentemente, em curto processo condenado à pena máxima. Seus personagens vêm sendo heroizados na Alemanha, prática contra a qual estão se levantando algumas vozes importantes no país. São de opinião de que se trata de homenagens a golpistas, que, em última análise, prestaram um desserviço à própria pátria e desqualificaram o sacrifício dos soldados combatentes. Na verdade parece que houve muita ingenuidade, ambição de poder ou até má fé. Segundo foi divulgado os rebelados queriam conseguir um acordo com os aliados em que fosse assegurado à Alemanha: autodeterminação dos povos, retorno às fronteiras de 1919, devolução das colônias etc., ou seja, o mesmo que Hitler sempre quis. Só que sabiam que não havia alternativa senão a rendição INCONDICIONAL.

A fim de valorizar o grupo de revoltosos, vem sendo feito um esforço incomum em ligar a ele um dos nomes mais respeitados entre todos os comandantes militares da 2ª.Guerra Mundial: Marechal de Campo Erwin Rommel, a famosa “Raposa do Deserto”.


Erwin Rommel

Rommel já deixara a guerra de 14-18 como Capitão e com a medalha do “Pour Le Mérite”, a mais alta condecoração de então. Em 1944 era Marechal de Campo agraciado com o mais alto galardão distribuído neste embate. Após a guerra foi personagem de vários filmes, representado por atores de ponta como James Mason, Marlon Brando e outros. Um dos biógrafos de Rommel, David Irving, diz que não há registro oficial da participação de Rommel na conspiração. No começo daquele mês de julho Rommel teria ouvido indícios de algo que se preparava do Segundo Tenente Cäsar von Hofacker. Possivelmente comentou isto com um dos seus generais, Hans Speidel, uma figura um tanto dúbia. Por ocasião da invasão aliada, 6 de junho de 1944, Speidel comandava as forças de defesa no lugar de Rommel, que se encontrava de licença e alguns historiadores acham que Speidel facilitou as coisas para os invasores e, em conseqüência, recebeu como prêmio alto posto na OTAN após a guerra. Voltando ao tempo pós 20 de julho é preciso dizer que generais das forças armadas alemãs acusados de algum delito enfrentavam primeiro um Tribunal de Honra e só quando indiciados por este iam ao Tribunal Popular. No curso das investigações Speidel foi ao Tribunal de Honra, não sofreu punição e, tudo indica, acusou Rommel.

No dia 14 de outubro de 1944 os generais Burgdorf e Maisel foram à casa de Rommel em Herlingen e comunicaram a ele que seu nome foi comprometido e por ordem do Führer lhe davam a opção de escolha entre Tribunal Popular e a cápsula de veneno. Rommel se despediu da mulher e do filho. Ao despedir-se do seu ajudante, Capitão Hermann Aldinger, disse:

“Chegou o fim (...) Sinto-me inocente, não participei do atentado. Servi à minha pátria a vida toda e fiz o melhor.”

Acompanhou os dois generais. Um médico do hospital de campanha em Ulm atestou o óbito por ataque cardíaco. Rommel teve um Funeral de Honra do Estado.

Norberto Toedter

11/09/2008

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Destaques em negrito feitos pela equipe do inacreditavel.com.br - Nota da Redação.

 

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