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Camponeses na metrópole
"Sem a proteção das grandes famílias, os pequenos sempre levam a pior"
Em 2000, o camponês Wu Yufang, 36 anos, mudou-se com sua família da província de Xandong, a nordeste da China, para Xangai e se instalou em um bairro pobre da periferia, às margens do rio Wusong.
O exemplo de Yufang relata a redução do homem a um mero objeto de manipulação dos grandes interesses ora comunistas, agora capitalistas, mas sempre servindo à corja dos gafanhotos apátridas, os grandes banqueiros e especuladores internacionais. A violenta ação do Estado no direito divino do homem em gerar seus descendentes leva este à sua escravização e ruína financeira. Desta forma, o governo chinês transforma mais uma vez o ser humano em simples objeto contábil do grande capital internacional.
"Recentemente minha barraca de frutas foi roubada por cinco marginais. 'Ei, o que é isso?', eu gritei. Eles me espancaram então. Sem a proteção das grandes famílias, os pequenos sempre levam a pior. Se nos vilarejos a tua vaca vai no pasto do vizinho, não tenha esperanças que a polícia te protegerá de ser espancado. Aqui no bairro não é diferente. Eu chamei então meu irmão e seu filho para me ajudarem contra os cinco ladrões. Meu sobrinho ficou um ano todo hospitalizado.
Eu quero ter o máximo de filhos que me for possível gerar, pois assim eles poderão se proteger mutuamente. Claro que isso vai contra a política de um único filho. Por isso não registramos ainda nosso caçula, embora ele já tenha dois anos de idade. Mas simplesmente nós não podemos pagar 5.000 ienes [1] (cerca de R$ 1.500) de multa. Às vezes eu me vejo em apuros. Eu tenho então que recorrer aos parentes. Eu me envergonho por isso.
Como de costume, nós estamos registrados em nosso vilarejo, em Xandong, o que nos obriga a registrar nossas crianças em uma escola de migrantes aqui em Xangai. Ela custa 40 vezes mais do que uma escola em nossa cidade natal. Mas as crianças poderão arrumar um bom emprego e por isso precisam aprender bastante. Minha mulher não consegue ler as placas lá no metrô e por isso é que ela nunca foi, por exemplo, até a Praça do Povo.
Nós pensamos freqüentemente em regressar. Porém, é melhor para as crianças que a gente permaneça. Há pouco tempo atrás, passou na televisão essa série com uma motorista de taxi que cuidava de um idoso senil. Isso me deu novas esperanças. Eu vi todos os capítulos, embora eu assita raramente televisão."
Entrevista concedida a Tilmann Wörtz.
[1] A título de comparação, o Índice Big Mac é US$ 1,30 na China e no Brasil, US$ 2,74
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