“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” - Voltaire

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Uma década do ouro

11/1/2010

Como poder dormir tranqüilo


Não apenas eu fiz um balanço ao final do ano, como pode ser lido no último Comentário do Mercado, mas muitos outros analistas também o fizeram. Eles até fecharam o balanço dos últimos dez anos, de 2000 até 2009. Eles compararam os desempenhos de diferentes tipos de aplicação como ações ou ouro. Resumindo, nada se pôde ganhar com as ações a longo prazo nos últimos dez anos, a não ser que se especule no curto prazo aproveitando-se das oscilações da bolsa. Os grandes índices como o DOW ou o DAX situam-se apesar de toda a ajuda dos governos e dos bancos centrais, em comparação com 2000, um pouco abaixo, o NASDAQ mais baixo ainda, o “novo mercado” não existe mais. E não esquecer: os valores das ações, medidos na mesma cotação nominal de bens reais, eles estão talvez a 35 por cento dos valores de 2000 – a inflação.


Mais interessante é a relação DOW-Ouro. Ela situou-se – no ponto alto do ciclo de Kondratieff – em cerca de 44 onça de ouro para cada dólar. Hoje estamos com a relação de 9,3 : 1. Ian Gordon é da opinião que esta relação será no atual inverno de Kondratieff, algo em torno de 1 : 4. Então nós teríamos um aumento do ouro cerca de 37 vezes frente às grandes ações. Em relação às pequenas ações ou coisas sem liquidez como empresas ou imóveis, a situação será ainda mais drástica – assim que não haver mais crédito para as compras.


De 44:1 até 1:4 é uma relação de 1:176, onde o ouro subirá em relação às ações, ou ao contrário, as ações poderiam cair para 1/176 do valor do ouro, seja como for então onde esta relação se situe, a hiperinflação está diante de nós.


A década dourada I


Abaixo o desempenho do dólar x ouro na última década (autoria de Bill Buckler, investidor):


2001, 273 dólar/onça para 279 dólar – Aumento de 2,20%
2002, 279 dólar/onça para 348 dólar – Aumento de 24,73%
2003, 348 dólar/onça para 416 dólar – Aumento de 19,54%
2004, 416 dólar/onça para 438 dólar – Aumento de 5,29%
2005, 438 dólar/onça para 518 dólar – Aumento de 18,26%
2006, 518 dólar/onça para 638 dólar – Aumento de 23,17%
2007, 638 dólar/onça para 838 dólar – Aumento de 31,35%
2008, 838 dólar/onça para 884 dólar – Aumento de 5,49%
2009, 884 dólar/onça para 1.096 dólar – Aumento de 23,98%


Ou seja, a cada ano um lucro freqüentemente acima de 20% como em 2009. Em Euro foi um pouco menos, pois o Euro se apresentou um tanto mais forte que o dólar. Em 2009 foi 24%, a prata 57% em relação ao dólar, 53% em relação ao Euro.


O desempenho do Real frente ao Dólar na última década:


2001, dólar a 1,947 para dólar a 2,375 – desvalorização de 21,98%
2002, dólar a 2,375 para dólar a 3,330 – desvalorização de 40,21%
2003, dólar a 3,330 para dólar a 2,815 – valorização de 15,47%
2004, dólar a 2,815 para dólar a 2,702 – valorização de 4,01%
2005, dólar a 2,702 para dólar a 2,276 – valorização de 15,77%
2006, dólar a 2,276 para dólar a 2,143 – valorização de 5,84%
2007, dólar a 2,143 para dólar a 1,753 – valorização de 18,20%
2008, dólar a 1,753 para dólar a 2,380 – desvalorização de 35,77%
2009, dólar a 2,380 para dólar a 1,730 – valorização de 27,31%


Ao longo da década, o Real se desvalorizou cerca de 11% em relação ao dólar. Neste período, a inflação acumulada em Real foi cerca de 65% e em dólar algo em torno de 22%. Já o Ouro se valorizou cerca de 400% em relação ao dólar - NR.


A década dourada II


A próxima década, de 2010 até 2019 será ainda mais dourada, pois nos próximos anos, talvez já em 2010, quase todos os países e suas moedas irão à falência. Então nós podemos apreciar o preço do ouro e da prata, a um patamar que a maioria nem ousa sonhar. Pois a massa irá a todo custo para este metal precioso com a finalidade de salvar seu patrimônio da hiperinflação e quebras dos bancos e países.


Mas isso não irá durar toda a década, por isso em algum momento chegará a época de investir em ações, empresas, imóveis, que estarão super baratos. Como hoje em dia, em Detroit, pode-se comprar uma casa intacta por uma onça de ouro (31 grama ou 1.100 dólares), tal situação será vista por toda parte. Crédito não existirá por alguns anos, e se ele estiver disponível, os juros e amortizações deverão ser pagos em ouro – um novo padrão-ouro aparecerá.



Walter Eichelburg, engenheiro.


O autor do artigo não é um consultor financeiro, mas sim um investidor em Viena - NR.


Este artigo apareceu na revista ef-online, de 09 de janeiro de 2010.


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