"Globalização não é um conceito sério. Nós, americanos, a inventamos para dissimular nossa política de entrada econômica em outros países. E para tornar respeitáveis os movimentos especulativos do capital, que são sempre a causa de grandes problemas..." - John Kenneth Galbraith
10/3/2010
O “Fundo Monetário Europeu”
A mais nova idéia dos políticos do Euro, como Juncker, Merkel ou Sarkozy, é criar um “Fundo Monetário Europeu” nos moldes do FMI. Provavelmente devido à vaidade, eles não querem deixar o FMI entrar na Grécia. Teme-se em ter que admitir que a Zona do Euro não pode por si própria resolver este problema ou, que o FMI inflige à Grécia fortes medidas de retenção de despesas.
Assim relatou Spiegel Online: “Clube do Euro faz o ajuste fino para atuação do bombeiro financeiro”:
Agora deve ir bem rápido: a crise orçamentária grega coloca os países do Euro sob pressão. Já na próxima segunda-feira, os países membros querem chegar a um consenso sobre medidas financeiras emergenciais, que salvem membros à beira da falência. Porém sua aplicação encobre riscos – para todos os membros.
O tempo torna-se escasso; provavelmente a Grécia está bem próxima da bancarrota.
Do BCE, por sua vez, veio uma pesada artilharia: “BCE rejeita o Fundo Monetário Europeu”.
Fica claro que esta idéia é um produto apenas dos políticos mencionados acima; nem ao menos coordenada pelo BCE. Parece tratar-se somente de uma tentativa de re-embrulhar um pacote de salvamento para Grécia & Co, o que seria difícil aprovar em alguns países do bloco econômico. E de imediato ressoa a “voz do povo alemão”, o jornal Bild também relata: “A loucura que é esse Fundo Monetário Europeu”.
O ministro das finanças Schäuble, os franceses, a comissão européia estão a favor, a chanceler Merkel também: Um Fundo Monetário Europeu (FME) deve ajudar futuramente países da Europa atolados na lama, quando eles se arruinaram. O FME como âncora de salvamento para todos os países trapaceiros e falidos da Europa – POR ISSO o FME não pode acontecer...
Do que se trata preliminarmente este projeto de FME, é o salvamento dos bancos alemães e franceses que estão bastante envolvidos na Grécia, assim como assegurar as importações de armamentos feitos pela Grécia na França e Alemanha. Uma falência da Grécia iria prejudicar muito estes bancos e paralisar a venda de armas.
Joe Ackermann e Co. não gostariam de Bailouts diretos através dos países, pois aqui eles teriam seus prêmios reduzidos; por isso melhor fazê-lo indiretamente como aconteceu com a AIG.
Um velho vinho Bailout em nova garrafa
Na edição impressa da Spiegel desta semana, temos o seguinte título “A mentira do Euro”. Um pequeno extrato:
“Há semanas um grupo de trabalho altamente secreto composto de uma dúzia de especialistas trabalham em medidas de ajuda econômica. Dentre eles está o secretário alemão para finanças Jörg Asmussen assim como seu colega francês juntamente com seus especialistas. O BCE está representado com seu chefe de economia Jürgen Stark, a comissão européia da mesma forma com seus funcionários de primeiro escalão. Além disso participam da conversa outros representantes de possíveis países contribuintes ao fundo.
Este grupo de trabalho está bem servido em seus preparativos... ‘Se necessário podemos pagar em 48 horas’, anunciou Asmussen há pouco ao seu chefe, o ministro das finanças Wolfgang Schäuble (CDU). O pacote de ajuda será composto de crédito e garantias, colocadas à disposição da Grécia pelos países europeus participantes do fundo. É previsto então um total de 25 bilhões de Euros, a participação alemã será de 20%. Ponderações, que esta ajuda poderia ir contra aos acordos europeus, os salvadores da Grécia parecem não ter feito. Para eles é prioridade máxima deixar intacta a União Européia. Os títulos garantidos não seriam mais de facto títulos gregos – mas sim papéis com o nível de risco da República da Alemanha.
Este é o pacote de ajuda para a Grécia e outros PIGS, que há algumas semanas aparece na mídia.”
Aha, Asmussen de novo, que também já negociara o pacote de ajuda ao HRE a favor do Deutsche Bank & Co. Agora já sabemos quem controla os fios. O detalhe é que estamos em 2010 e não mais em 2008 e não se trata da ajuda aos bancos alemães à beira da falência, mas sim de um povo estrangeiro, que comprovadamente não consegue poupar e xinga grosseiramente seus salvadores em potencial. Este FME é somente um cobertor novo para os antigos pacotes de ajuda econômica. O título da Spiegel mostra o quão impopular ele é.
O Euro, tão eterno como o Muro de Berlim
O Euro é e permanece um produto artificial dos políticos: “O Euro, um produto artificial dos políticos”:
Sim, atrás do Dólar tem nada; atrás do Euro tem nada e ninguém, como Doug Casey escreve. Ele compara o Euro ao golpe de Madoff, mas bem, bem maior.
Isso nos remete a outro produto artificial dos políticos, o Muro de Berlim. Aqui temos alguns artigos interessantes na revista Spiegel, sobre o que aconteceu naquela época, o que levou ao fim do Muro a 9/11/1989: “Não estrague isso aqui”, “Queda do Muro por telefone”.
O Muro de Berlim também foi criado para a “eternidade”; todo o regime da DDR (Alemanha Oriental – NR) segurava-se nele. Quase ninguém acreditava que ele iria cair, muito menos entre políticos e mídias.
Mas no verão de 1989 já estava claro que a situação não se sustentaria por muito mais tempo, principalmente depois que foi anunciado oficialmente que na cortina de ferro entre Hungria e Áustria: “E de repente tinha um buraco na cerca”. O bloco oriental estava simplesmente falido financeiramente. Com a fuga em massa dos cidadãos da DDR através desta fronteira aberta para o oeste, estava claro que o Muro de Berlim não agüentaria por muito mais tempo.
O Euro, da mesma forma, é um produto da política, apenas onde a “fé dos políticos” consiga sustentá-lo. Os primeiros buracos no Euro já estão visíveis: como a quase falência da Grécia.
Os políticos estão em tal estado de pânico por causa de seus Euros, que já pensam não apenas em criar este FME, mas também querem proibir a ação de especuladores contra os títulos do tesouro dos países da União. Os especuladores devem estar rindo.
A queda da elite do Euro
Como no caso da DDR, com a queda do Muro do Euro, cai também os políticos do euro. Juncker, Merkel & Co logo tornar-se-ão história, como outrora Heneckel, Krentz & Co. – varridos por uma revolução.
Talvez eles saibam disso e começam a agir em pânico, como a liderança da DDR nos últimos dias antes da queda do Muro. A “proibição” de especuladores anti-Euro é um indício disso.
Revelar-se-á, portanto, que o Euro foi somente um grande engodo, que surrupiou os poupadores.
Ninguém acreditava até a tarde do 9 de novembro de 1989
Que o Muro de Berlim cairia até o anoitecer daquele dia. Às 23 horas do mesmo dia, aconteceu. O Muro estava aberto, alguns dias depois sumiram o regime da DDR e seus congêneres na Europa Oriental; em pouco menos de um ano depois, a própria DDR desapareceria.
O que aconteceu neste dia foram diferentes reações errôneas e em pânico da liderança da DDR, que batiam suas asas como galinhas desesperadas. Nada foi planejado, em algum momento a tensão tinha que ser aliviada.
Algo semelhante observamos agora com o Euro. As galinhas políticas também batem suas asas em pânico, porém, como naquela época, nos bastidores. Quando que virão as atitudes errôneas, isso nós não sabemos.
Em todo caso, o Euro é uma moeda em decadência, provavelmente com uma breve data de validade. Falta apenas ainda um empurrão. Quando isso vai acontecer? Nós veremos.
Isso será necessário quando o Euro for revelado como uma grande fraude:

E o que será necessário quando o polêmico Holocausto judeu for revelado também como uma grande fraude? – NR.

Walter Eichelburg, engenheiro.
O autor do artigo não é um consultor financeiro, mas sim um investidor em Viena - NR.
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